Estudo da Unicamp revela que altas temperaturas superam o frio em mortalidade por problemas respiratórios no país.

Cerca de 6 mil brasileiros morrem anualmente por doenças respiratórias associadas a temperaturas extremas, segundo um estudo inédito divulgado recentemente. O levantamento surpreendeu ao apontar que o calor, e não o frio, é o principal responsável por esses óbitos no país.

A pesquisa foi realizada por cientistas da Universidade Estadual de Campinas, a Unicamp, e analisou mais de 1 milhão de óbitos registrados entre 2010 e 2020 em 646 municípios brasileiros. Os resultados foram publicados na revista científica internacional PLOS Climate, conforme informação divulgada por superinteressante.

Os especialistas estimam que 66 mil mortes por problemas respiratórios no período analisado estiveram ligadas a temperaturas fora da faixa de menor risco, fixada em 22,4 °C. Do total de óbitos, 4,27% foram atribuídos ao calor e 1,81% ao frio, mudando a perspectiva clássica sobre o clima.

Impacto do calor no sistema respiratório

O pneumologista Humberto Bogossian, do Einstein Hospital Israelita, explica que o calor intenso afeta os pulmões porque a desidratação resseca as vias aéreas. Isso torna a secreção pulmonar mais espessa, dificultando a eliminação e favorecendo infecções e crises de asma e DPOC.

Além disso, o médico aponta que o corpo humano respira mais rapidamente para tentar dissipar o calor, o que aumenta o esforço físico do sistema respiratório. Fatores como baixa umidade, poluição e queimadas também agravam o cenário nas cidades brasileiras.

Diferença entre o Brasil e o exterior

O pesquisador Guilherme Coelho, primeiro autor do estudo, destaca que o país importou décadas de literatura médica da Europa e dos Estados Unidos, onde o frio domina a mortalidade. No Brasil, contudo, a população passa cerca de três quartos do ano exposta a temperaturas acima do ponto de conforto.

Enquanto dias de calor intenso elevam o risco de morte em 43%, o frio extremo aumenta esse risco em 29%. Especialistas alertam que o país ainda possui baixa infraestrutura e pouca adaptação urbana para lidar com ondas de calor prolongadas.

Diferenças regionais e grupos vulneráveis

O estudo aponta que o Norte registrou a maior proporção de mortes respiratórias por calor, alcançando 12,5%, enquanto no Sul o frio ainda lidera os óbitos. O paradoxo do frio mostra que regiões quentes podem sofrer com temperaturas moderadas devido à falta de adaptação fisiológica local.

Os idosos representam 75% dos óbitos associados a temperaturas extremas, pois o envelhecimento reduz a regulação térmica corporal. Especialistas recomendam manter hidratação constante, evitar sol forte, umidificar ambientes e manter a vacinação em dia para prevenir complicações.

Perguntas Frequentes

Por que o calor mata mais do que o frio no Brasil?

O Brasil possui clima predominantemente quente e a população passa grande parte do ano exposta a temperaturas acima do ponto ideal de conforto, fixado em 22,4 °C pelo estudo da Unicamp.

Quais são os sintomas e riscos do calor para os pulmões?

O calor causa desidratação, resseca as vias aéreas, espessa as secreções pulmonares e acelera a respiração, aumentando o risco de crises de asma, bronquite e infecções respiratórias.

Qual faixa etária é mais afetada pelas temperaturas extremas?

Os idosos concentram cerca de 75% das mortes respiratórias ligadas a temperaturas extremas, devido à menor capacidade de regulação térmica e à presença de doenças crônicas.

Como se proteger dos problemas respiratórios causados pelo calor?

Recomenda-se manter alta ingestão de líquidos, usar umidificadores de ar, evitar exposição solar nos horários de pico e manter o calendário de vacinação atualizado.