Cientistas registram a acrobática fuga de serpentes anãs que rodam como rodas para escapar do perigo rapidamente.

Pesquisadores registraram em laboratório o comportamento incomum de cobras minúsculas do gênero Pseudorabdion no Sudeste Asiático. Esses animais conseguem curvar o corpo e dar cambalhotas velozes para despistar predadores e escapar do perigo.

A descoberta detalha como espécimes medindo entre 11 e 28 centímetros conseguem se transformar em uma verdadeira roda viva sem possuir membros. O estudo foi publicado por especialistas no final de outubro na revista científica Current Biology, conforme informação divulgada por sciencenews.

A investigacão conduzida por cientistas do Japão e da Malásia revelou detalhes surpreendentes sobre a locomoção dessas serpentes anãs. O registro corrobora relatos históricos do século XIX sobre animais com capacidade de rolar pelo solo.

Como as cobras minúsculas conseguem dar mortais

O processo acrobático começa quando a cobra curva o corpo em forma de C, mantendo a cabeça levantada e direcionada para a frente. Em seguida, o animal chicoteia a cauda para trás, impulsionando o corpo para o ar de maneira explosiva e veloz.

A cauda é girada rapidamente por cima da cabeça, atingindo o solo à frente e reiniciando o ciclo de rolamento. Durante todo o trajeto, as cobras acrobáticas mantêm a cabeça relativamente estável, semelhante ao comportamento de serpentes voadoras.

Pesquisa de campo em parques da Malásia

O ecologista Yosuke Kojima, da Universidade Toho no Japão, soube do comportamento inusitado através de um colega em Sarawak, na Malásia, no ano de 2019. A partir daí, a equipe coletou exemplares no Parque Nacional Kubah.

Foram capturados animais como a Pseudorabdion saravacense e outras espécies para testes em uma pista de corrida com 2,2 metros de comprimento. Os pesquisadores notaram que as cobras atingem velocidades impressionantes de até 13 quilômetros por hora durante as fugas circulares.

Mistérios sobre a evolução da espécie

A bióloga Jessica Tingle, da Universidade Brown em Rhode Island, destaca o espanto diante da exigência física para um animal tão alongado. Ela questiona se o sistema nervoso dessas serpentes do Sudeste Asiático possui adaptações anatômicas únicas para tal feito.

Apesar de o mistério evolutivo continuar aberto, registrar o fenômeno em vídeo confirmou que histórias antigas sobre animais circulares tinham base real. As cobras do gênero Calamaria testadas no mesmo experimento não apresentaram a mesma habilidade motora.

Perguntas Frequentes

Como as cobras minúsculas conseguem rolar sem braços ou pernas?

Elas curvam o corpo em formato de C, projetam a cauda para trás e dão impulsos explosivos para girar no ar e no chão.

Qual a velocidade atingida pelas cobras durante o rolamento?

As serpentes do gênero Pseudorabdion alcançam velocidades entre 1,7 e 3,7 metros por segundo, o equivalente a cerca de 6 a 13 km/h.

Quais espécies foram testadas pelos pesquisadores?

Os cientistas analisaram espécies como Pseudorabdion saravacense, Pseudorabdion collaris e Pseudorabdion longiceps em laboratório na Malásia.

Onde o estudo sobre as cobras acrobatas foi publicado?

O comportamento foi detalhado por pesquisadores em um artigo científico publicado na revista Current Biology em outubro.