Missão internacional identifica animais inéditos a bordo do navio Falkor, conforme pesquisa científica avançada.

Uma expedição científica internacional realizada em abril de 2026 identificou 31 espécies potencialmente novas para a ciência no Atlântico Sul, ao longo da costa brasileira.

A missão Designing the Future 3 ocorreu a bordo do navio Falkor (too), utilizando tecnologias avançadas como lasers, escaneamento 3D e sequenciamento genético a bordo, conforme informação divulgada por pesuisa.

Coordenada por Karen Osborn, do Smithsonian Institution, a equipe investigou a fauna entre 200 e 1.200 metros de profundidade, ampliando o conhecimento sobre a biodiversidade marinha.

Expedição no Atlântico Sul e o navio Falkor

A missão ocorreu entre Salvador e Fortaleza, em águas internacionais distantes entre 160 e 480 quilômetros da costa, onde o fundo do oceano atinge 4.500 metros de profundidade.

Segundo o professor Marcelo Melo, do Instituto Oceanográfico da USP, o objetivo foi estudar a diversidade, as adaptações e as teias tróficas nessa região pouco explorada.

A expedição reuniu cerca de 30 cientistas e 37 tripulantes de países como Brasil, Estados Unidos, Japão e Austrália, integrando áreas como biologia, oceanografia e genética.

Tecnologias de ponta no oceano profundo

O veículo subaquático não tripulado ROV SuBastian utilizou sistemas de imageamento tridimensional DeepPIV e EyeRIS, desenvolvidos pelo MBARI na Califórnia.

Essas ferramentas geram modelos digitais detalhados de organismos transparentes e opacos, registrando estruturas e comportamentos em seu ambiente natural.

Além disso, o microscópio Squid, da Universidade Stanford, permitiu capturar imagens tridimensionais de estruturas celulares de organismos vivos ainda no navio.

O papel do elevador biológico de carbono

A missão focou na zona mesopelágica, palco da migração vertical diária, o maior movimento sincronizado de biomassa animal do planeta.

Todas as noites, bilhões de organismos sobem das profundezas para se alimentar e retornam ao amanhecer, transportando carbono da superfície para o oceano profundo.

Esse processo atua como um elevador biológico de carbono, ajudando a regular o clima global por meio da respiração, excreção e cadeia alimentar.

Importância da biodiversidade marinha desconhecida

Para o professor Renato Nagata, da Furg, encontrar novas espécies séculos após as primeiras grandes expedições mostra que há vastas áreas inexploradas.

A pesquisadora Michela Borges, da Unicamp, destaca que cada descoberta orienta estudos em ecologia, biogeografia e conservação da natureza.

A integração entre observação visual e genética rápida gera um volume extraordinário de dados, revolucionando o estudo dos oceanos.

Perguntas Frequentes

Onde ocorreu a expedição que encontrou novas espécies?

A missão foi realizada no Atlântico Sul tropical, em águas internacionais ao largo da costa do Nordeste brasileiro, entre Salvador e Fortaleza.

Quantas espécies novas foram descobertas na missão?

A expedição identificou 31 espécies potencialmente novas e ainda não descritas pela ciência em apenas duas semanas de trabalho em alto-mar.

Quais tecnologias foram usadas para identificar os animais?

A equipe utilizou o veículo subaquático ROV SuBastian com sistemas de lasers e escaneamento 3D, além de sequenciamento genético realizado a bordo.