Conheça o impacto do deserto de roupas no Chile gerado pelo consumo global de moda rápida.
O Deserto do Atacama, localizado no norte do Chile, transformou-se em um gigantesco depósito de vestuário nos últimos quinze anos, acumulando mais de 60 mil toneladas de peças têxteis em uma área de 300 hectares próxima a Alto Hospicio e Iquique.
A montanha de roupas descartadas atingiu dimensões tão colossais que já pode ser avistada por satélites espaciais, revelando uma crise alarmante impulsionada pelo consumo insustentável de fast fashion e pelo descarte precoce de coleções de marcas famosas.
A Organização das Nações Unidas classificou oficialmente a situação como uma emergência ambiental e social global, conforme informação divulgada por superinteressante.
Crise ambiental no Deserto do Atacama
A indústria da moda rápida responde por até 10% das emissões globais de gases de efeito estufa, além de figurar como a segunda maior consumidora de água do planeta, alimentando um ciclo em que os compradores adquirem 60% mais roupas enquanto o tempo de uso cai pela metade.
Imagens capturadas pela plataforma de satélite SkyFi registraram o acúmulo massivo nos arredores de Iquique, onde a zona franca isenta de impostos facilita a entrada de cargas têxteis que acabam sobrando após a revenda para países como Brasil, Bolívia e Argentina.
Marcas famosas e etiquetas originais
Investigações conduzidas pela ONG Ekō e pelo coletivo chileno Desierto Vestido identificaram peças de grifes internacionais como Zara, H&M, Adidas, Nike, Levi’s, Tommy Hilfiger e Hugo Boss diretamente no depósito do Atacama.
De acordo com dados publicados pela revista Dazed, apenas 15 por cento das roupas jogadas no deserto foram utilizadas pelos consumidores, enquanto a grande maioria consiste em estoques novos descartados pelas próprias empresas a cada mudança de temporada.
Impacto do poliéster e microplásticos
A maior parte dos itens descartados é fabricada em poliéster, uma resina plástica derivada do petróleo que pode levar duzentos anos para se decompor totalmente no meio ambiente árido da região.
Com a degradação contínua sob o sol do deserto, as roupas liberam microplásticos nocivos que poluem a atmosfera e afetam de maneira severa o ecossistema local, desafiando autoridades e moradores vulneráveis que tentam reaproveitar as peças.
Perguntas Frequentes
Por que a montanha de roupas no Atacama existe?
A montanha de roupas no Atacama existe devido ao descarte em massa de excedentes da indústria global de fast fashion, facilitado pela zona franca do porto de Iquique, no Chile.
Quais marcas foram encontradas no deserto de roupas?
Investigações encontraram peças de marcas famosas como Zara, H&M, Adidas, Nike, Levi’s, Tommy Hilfiger e Hugo Boss, muitas ainda com as etiquetas originais.
A montanha de roupas no Atacama é visível do espaço?
Sim, imagens de satélite da plataforma SkyFi confirmam que as pilhas de vestuário cobrem 300 hectares e são grandes o suficiente para serem vistas do espaço.
Quais são os principais danos ambientais causados pelas roupas?
As roupas contêm poliéster derivado de petróleo que demora duzentos anos para se decompor, liberando microplásticos na atmosfera e poluindo o ecossistema do deserto.

