Parecer do Ministério Público aponta indícios de ligação com milícias, Comando Vermelho e lavagem de dinheiro.
O Ministério Público Eleitoral pediu ao Tribunal Superior Eleitoral, o TSE, que indefira o registro de candidatura do deputado estadual eleito Márcio Canella, do União Brasil. A solicitação foi enviada à Corte na última sexta-feira, conforme informação divulgada por poder360.
O vice-procurador-geral eleitoral, Alexandre Espinosa, afirmou que há elementos suficientes para relacionar o político a organizações criminosas. Canella foi eleito deputado estadual no Rio de Janeiro com 197.178 votos, sendo o segundo mais votado do Estado.
A defesa do político ainda não se manifestou publicamente sobre o novo parecer. Anteriormente, os advogados informaram que não tiveram acesso à decisão da prisão e que o fuzil apreendido pertencia ao policial militar responsável pela escolta.
Investigação sobre lavagem de dinheiro em postos
O parlamentar foi preso em 15 de outubro durante a oitava fase da operação Unha e Carne, conduzida pela Polícia Federal. A investigação apura um esquema de lavagem de dinheiro por meio de uma rede de postos de combustíveis no Rio de Janeiro, conforme os dados do processo.
Segundo o parecer do Ministério Público Eleitoral, há indícios de que Márcio Canella atuou como articulador político do esquema. O órgão aponta que ele influenciou indicações para cargos na segurança pública e recebeu dinheiro em espécie das atividades investigadas.
Apreensões e ligação com grupos paramilitares
Na fase da operação realizada em julho, a Polícia Federal apreendeu R$ 919 mil em espécie e dólares em endereços ligados a Canella. No veículo em que ele estava, foi encontrado um fuzil de uso restrito, cuja responsabilidade foi atribuída à escolta policial.
O órgão ministerial também destacou indícios de conexões com milícias. O documento aponta que o político empregou familiares de líderes milicianos em seu gabinete e nomeou pessoas investigadas para secretarias municipais durante sua gestão na Prefeitura de Belford Roxo.
Operações e atuação em Belford Roxo
O parecer menciona ainda a operação municipal Barricada Zero, realizada na gestão de Canella em Belford Roxo. O objetivo foi retirar obstáculos instalados pelo tráfico, mas o órgão aponta indícios de acordos informais com o Comando Vermelho na região.
Para o vice-procurador-geral eleitoral, os elementos reunidos evidenciam a infiltração de lideranças criminosas na administração pública. O pedido ao TSE baseia-se no artigo 17 da Constituição, que proíbe a interferência de grupos paramilitares nos partidos políticos.
Perguntas Frequentes
Por que o MP Eleitoral pediu o veto à candidatura de Márcio Canella?
O pedido foi feito ao TSE devido a indícios de ligação do político com organizações criminosas, milícias, Comando Vermelho e um esquema de lavagem de dinheiro.
Qual foi a votação de Márcio Canella nas eleições estaduais?
Márcio Canella recebeu 197.178 votos no primeiro turno, consagrando-se como o segundo deputado estadual mais votado no estado do Rio de Janeiro.
O que diz a defesa de Márcio Canella sobre as acusações?
A defesa afirmou anteriormente que não teve acesso à decisão que determinou a prisão e que o fuzil encontrado pertencia ao policial militar responsável pela escolta.
Qual tribunal vai decidir sobre o registro de candidatura?
O Tribunal Superior Eleitoral, o TSE, deverá julgar o recurso do Ministério Público Eleitoral para reverter a liberação inicial concedida pelo TRE-RJ.

