Nova hipótese científica aponta que antepassados mergulhavam antes de correr nas savanas africanas.

Duas pesquisadoras desafiaram teorias tradicionais sobre a evolução humana ao propor que a nossa capacidade de resistência física não surgiu apenas nas savanas, mas também na água. A hipótese sugere que os primeiros hominídeos mergulhavam em busca de alimentos em lagos e águas costeiras.

O estudo foi publicado no periódico PaleoAnthropology pelas cientistas Josephine Joordens e Erika Schagatay. A teoria mexe com a comunidade antropológica por contrapor a ideia de que a evolução da estamina ocorreu exclusivamente em ambientes terrestres secos.

A pesquisa busca explicar por que humanos conseguem realizar grandes proezas aeróbicas, ao contrário de outros primatas, conforme informação divulgada por sciencenews.

A teoria do mergulho primeiro e corrida depois

A antropóloga evolutiva Josephine Joordens, do Instituto Max Planck de Antropologia Evolutiva em Leipzig, uniu forças com a fisiologista Erika Schagatay, da Universidade Mid-Sweden. Juntas, elas formularam a proposta chamada de mergulhar primeiro e correr depois.

Schagatay estuda povos mergulhadores modernos, como os Ama no Japão e os Sama-Bajau no Sudeste Asiático. Esses grupos passam horas submersos e desenvolveram adaptações fisiológicas impressionantes para lidar com a escassez de oxigênio durante a atividade aquática.

Adaptações físicas e capacidade respiratória

Entre 2 milhões e 3 milhões de anos atrás, espécies de Homo realizavam mergulhos rasos repetidos para capturar peixes e mariscos. Com isso, esses grupos desenvolveram baços maiores e capacidade respiratória aprimorada para evitar a fadiga prolongada.

Essas características teriam pavimentado o caminho para a estamina cardiorrespiratória que mais tarde permitiu a corrida de longa distância. Os pesquisadores sugerem que esses humanos ancestrais também apresentavam ossos mais densos e narizes voltados para baixo para impedir a entrada de água.

Controvérsias e debates na antropologia

A nova proposta divide opiniões entre especialistas da área de paleoantropologia. Para Daniel Lieberman, da Universidade de Harvard, o mergulho não exige a mesma capacidade aeróbica da corrida e o desenvolvimento de ossos pesados pode estar ligado a trabalhos braçais.

Outros cientistas, como Leslea Hlusko, do Centro Nacional de Investigación sobre la Evolución Humana em Burgos, enxergam evidências sólidas que justificam o papel do forrageamento aquático como impulsionador evolutivo inicial.

Perguntas Frequentes

O que diz a nova hipótese sobre a resistência humana?

A hipótese sugere que a capacidade humana de resistência física evoluiu porque nossos ancestrais praticavam mergulhos rasos para buscar alimentos em águas costeiras e lagos.

Quem são as autoras da pesquisa sobre mergulho e evolução?

A teoria foi desenvolvida pela antropóloga evolutiva Josephine Joordens e pela fisiologista Erika Schagatay, com publicação na revista PaleoAnthropology.

Quais adaptações os humanos teriam desenvolvido na água?

Segundo o estudo, nossos antepassados teriam desenvolvido baços maiores, melhor capacidade cardiorrespiratória, ossos mais densos e narizes voltados para baixo.

Todos os cientistas concordam com essa nova teoria?

Não, pesquisadores como Daniel Lieberman contestam a ideia, argumentando que o mergulho lento não acelera o batimento cardíaco da mesma forma que a corrida de longa distância.