Especialistas discutem em Belém os impactos da mudança para matrizes renováveis nas comunidades locais

A transição energética avança como um pilar fundamental não apenas para conter as mudanças climáticas, mas também para garantir a inclusão social em regiões vulneráveis. O tema foi o centro dos debates durante um evento realizado recentemente em Belém, no Pará, reunindo líderes empresariais e especialistas para analisar os rumos da economia verde.

O encontro buscou debater os desafios financeiros e estruturais da mudança de matriz, respondendo a questionamentos sobre quem financia e quem se beneficia das inovações sustentáveis. A discussão evidenciou que a descarbonização precisa caminhar lado a lado com o combate às desigualdades regionais brasileiras.

A iniciativa reforça a urgência de alinhar sustentabilidade ambiental e justiça social, conforme informação divulgada por valorglobo. O evento destacou que a modernização do setor elétrico não pode deixar populações tradicionais à margem do desenvolvimento.

Tarifa social de energia no Pará

O acesso à eletricidade representa o primeiro passo rumo à cidadania plena, exigindo atenção especial para que nenhuma família fique para trás. A avaliação foi feita por Gustavo Tavares, gerente de regulação da Equatorial Pará, durante o fórum na capital paraense.

A concessionária atende atualmente 3 milhões de clientes no estado, sendo que 1 milhão já possuem direito à tarifa social. Além disso, a empresa mapeou outras 70 mil famílias que preenchem os requisitos para serem integradas ao benefício governamental.

Aproveitamento de caroços de açaí

A busca por fontes renováveis também passa por soluções criativas que valorizam a economia regional e reduzem o descarte de resíduos. Um exemplo citado por Eugênio Pantoja, diretor-técnico do Fundo Hydro, é o projeto que utiliza sementes de açaí como combustível para caldeiras industriais.

O insumo, frequentemente descartado nas ruas de cidades amazônicas, é coletado por empresas de médio porte e comercializado com a companhia. A prática limpa a matriz energética da empresa e fomenta novas frentes de negócios para os produtores locais.

Bioeconomia e cadeia produtiva sustentável

Para impulsionar a indústria local, a transição precisa abranger toda a cadeia produtiva e melhorar as infraestruturas da região amazônica. A visão foi defendida por Fatima Chamma, CEO da Chamma da Amazônia, ao ressaltar a necessidade de superar o estigma de que o estado serve apenas como mero fornecedor de insumos básicos.

A empresária destacou que a geração de energia limpa precisa vir acompanhada de investimentos industriais, como a fabricação local de embalagens. O objetivo é garantir que o crescimento econômico beneficie diretamente a população e fortaleça a bioeconomia regional.

Perguntas Frequentes

O que é a transição energética na Amazônia?

É o processo de substituição de fontes fósseis por matrizes renováveis, visando reduzir emissões de gases poluentes e promover a inclusão econômica e social de comunidades locais.

Qual é o papel da Equatorial Pará na inclusão social?

A distribuidora cruza dados com o governo para identificar famílias elegíveis à tarifa social, tendo mapeado recentemente mais 70 mil lares para receber o benefício no estado.

Como as sementes de açaí são usadas na geração de energia?

O Fundo Hydro compra caroços de açaí que seriam descartados como lixo para utilizá-los como fonte de energia em caldeiras, gerando receita para pequenos negócios locais.

Quais empresas participaram do debate sobre transição energética em Belém?

O evento contou com a participação de executivos da Equatorial Pará, Fundo Hydro e Chamma da Amazônia, além de especialistas em desenvolvimento regional.