Estudo aponta que congelamento de benefícios e do Bolsa Família pode gerar retração severa no comércio do interior brasileiro
Uma pesquisa recente divulgada pelo Centro de Pesquisa em Macroeconomia das Desigualdades, da Faculdade de Economia e Administração da Universidade de São Paulo, o Made-USP, revelou um dado preocupante para a economia brasileira.
O levantamento indica que a estagnação ou cortes em benefícios sociais e previdenciários podem provocar uma retração severa na atividade econômica de milhares de cidades fora das capitais e regiões metropolitanas do país.
A análise detalha os riscos para o comércio local, o sustento de famílias em situação de vulnerabilidade e o avanço da pobreza, conforme informação divulgada por BRASIL.
Impacto na economia dos municípios do interior
Segundo a co-diretora do Made-USP, a economista Luiza Nassif, aposentadorias, o Bolsa Família e o Benefício de Prestação Continuada respondem por quase metade do orçamento das famílias mais pobres no interior do Brasil.
A especialista explicou que esses recursos são utilizados quase integralmente na compra de itens de primeira necessidade, fazendo o dinheiro circular rapidamente, garantindo empregos e mantendo a arrecadação municipal ativa.
O estudo analisou cerca de 4.000 municípios fora de regiões metropolitanas, onde o peso dessas transferências públicas chega a ser o doble em comparação com os grandes centros urbanos do país.
Projeção de queda na renda agregada
Os pesquisadores compararam o cenário recente de ganhos reais com um contexto de congelamento semelhante ao período de 2019 a 2022, projetando os reflexos econômicos para os próximos três anos nas cidades afetadas.
Sem os reajustes reais, a renda agregada do interior sofreria uma retração de até 10,8%, gerando uma reação em cadeia que atingiria inclusive os moradores que não dependem diretamente de auxílios governamentais.
Os impactos mais severos foram projetados para estados como Rio Grande do Norte, Amapá e Piauí, onde a renda total poderia sofrer quedas expressivas entre 17% e 18% sem o ritmo atual de aumento.
Risco de milhões na extrema pobreza
Além dos danos econômicos locais, o levantamento destaca que a falta de valorização empurra famílias vulneráveis diretamente para faixas alarmantes de penúria e extrema vulnerabilidade social.
Simulações apontam que a ausência de ganhos reais nos auxílios poderia ter empurrado aproximadamente 2,7 milhões de pessoas para a pobreza, sendo 2,4 milhões delas para a extrema pobreza no interior.
Em números absolutos, estados populosos como Bahia, São Paulo e Minas Gerais registrariam as maiores altas de novos cidadãos em situação de vulnerabilidade severa nas respectivas regiões.
Perguntas Frequentes
O que diz o estudo do Made-USP sobre os auxílios sociais?
O levantamento aponta que cortes ou estagnação em benefícios como Bolsa Família e BPC podem causar retração severa na economia de municípios do interior e levar milhões à pobreza.
Qual é o impacto dos benefícios no comércio local?
O dinheiro recebido pelas famílias é gasto quase totalmente em itens de primeira necessidade, movimentando o comércio local, protegendo empregos e mantendo a arrecadação municipal.
Quais regiões seriam as mais afetadas pela queda de renda?
O estudo indica que o interior do Rio Grande do Norte, do Amapá e do Piauí enfrentaria as maiores quedas na renda total, com perdas estimadas entre 17% e 18%.
Quantas pessoas poderiam ser empurradas para a pobreza?
Segundo as simulações da pesquisa da Universidade de São Paulo, cerca de 2,7 milhões de pessoas poderiam ser empurradas para a pobreza no interior do país.

