Novas simulações em supercomputadores revelam a origem e a evolução da nossa galáxia desde a aurora cósmica.
Nos primórdios do universo, a região que hoje conhecemos como a nossa vizinhança na Via Láctea era uma imensa coleção de milhares de galáxias menores. Algumas geravam muitas estrelas novas, enquanto outras continham apenas gás, restos estelares e buracos negros, formando um cenário caótico e fascinante.
Para entender esse processo, uma equipe liderada por Harley Katz, professor assistente de astronomia na Universidade de Chicago, desenvolveu um conjunto inédito de simulações em supercomputadores de alta potência ao longo de três anos. O projeto MEGATRON detalha como galáxias se uniram para formar o disco espiral atual, conforme informação divulgada por CIÊNCIA.
As descobertas trazem previsões diretas sobre a aparência do universo primordial para telescópios espaciais modernos, como o Hubble e o James Webb. Os resultados completos foram publicados recentemente em seis artigos científicos na revista The Open Journal of Astrophysics.
Simulação da Via Láctea no início do universo
Como não podemos viajar no tempo para estudar a origem do cosmos, os cientistas utilizam modelos computacionais avançados baseados nas leis da física. Harley Katz explica que a equipe inseriu dados sobre gravidade, hidrodinâmica, radiação e química para observar a evolução estelar ao longo de bilhões de anos.
O projeto MEGATRON acompanhou milhares de subsistemas galácticos simultaneamente, revelando uma enorme diversidade de estruturas em diferentes estágios de formação. Com o auxílio de dados recentes do Telescópio Espacial James Webb, os pesquisadores conseguiram comparar previsões teóricas com observações astronômicas reais.
Misteriosas galáxias sem estrelas na aurora cósmica
Entre as descobertas mais surpreendentes do modelo computacional está a previsão da existência de galáxias que não possuem estrelas, mas continuam brilhando no espaço profundo. Algumas podem ter tido estrelas que explodiram ou colapsaram em buracos negros, enquanto outras mantêm apenas grandes nuvens de gás primordial.
Esses achados ajudam a compreender enigmas complexos da astrofísica estelar, como a distribuição de ferro em sistemas galácticos muito antigos e tênues. A simulação sugere que explosões de estrelas primordiais, conhecidas como População III, desempenharam um papel fundamental na dispersão de elementos químicos pelo universo.
Estrelas da População III e a formação de ferro
Um longo mistério na astrofísica envolvia a quantidade de ferro em galáxias pequenas e tênues, onde a proporção de metais parecia constante independentemente da massa. O novo modelo aponta que as explosões de supernovas de estrelas da População III produzem mais ferro do que outras gerações estelares.
Como essas estrelas antigas são formadas apenas por hidrogênio e hélio, suas explosões explicam como galáxias maiores retiveram esse material devido à gravidade, enquanto sistemas menores o perderam para o espaço. Os artigos fornecem pistas valiosas para que astrônomos finalmente consigam localizar vestígios dessas estrelas pioneiras.
Perguntas Frequentes
Como era a Via Láctea no início do universo?
Nos primórdios, a região da Via Láctea era formada por milhares de galáxias menores e diversificadas que se fundiram ao longo de bilhões de anos.
O que foi o projeto MEGATRON?
Foi um estudo liderado por Harley Katz na Universidade de Chicago que utilizou supercomputadores para simular a evolução detalhada da Via Láctea.
O que são estrelas da População III?
São estrelas extremamente antigas criadas logo após o Big Bang, compostas apenas por hidrogênio e hélio, cujas explosões ajudaram a espalhar ferro no universo.
Quais telescópios ajudaram nessa pesquisa?
Os dados teóricos obtidos nas simulações foram comparados com observações do Telescópio Espacial James Webb e do Telescópio Espacial Hubble.

