Nova pesquisa aponta que o gene APOE4 altera vasos sanguíneos e favorece cicatrizes cerebrais ligadas ao Alzheimer.
Um novo estudo publicado na revista científica Cell detalha como o gene APOE4, principal fator de risco genético comum para o Alzheimer, atua no organismo humano. A pesquisa foi divulgada por cientistas e traz novas perspectivas sobre a vulnerabilidade cerebral.
O trabalho revelou que a variante genética estimula a produção de tecido cicatricial em conexões vasculares que transportam sangue para o cérebro. Esse processo biológico pode acelerar o acúmulo da proteína amiloide-beta, associada aos primeiros sinais da doença neurodegenerativa, conforme informação divulgada por sciencenews.
A investigação reuniu especialistas de instituições como a Icahn School of Medicine at Mount Sinai e o Florey Institute of Neuroscience and Mental Health. O avanço científico ajuda a desvendar os mecanismos complexos que conectam a genética aos danos vasculares e cognitivos.
O papel do gene APOE4 no risco de Alzheimer
O APOE4 é um alelo comum que fabrica proteínas transportadoras de gordura na corrente sanguínea. Cerca de seis em cada dez pacientes com Alzheimer possuem essa variante genética, embora muitas pessoas portadoras jamais desenvolvam demência.
Para entender essa vulnerabilidade, o neurocientista Joel Blanchard e sua equipe mapearam a expressão gênica em 66.000 células cerebrais de 220 indivíduos. Os dados mostraram que portadores do APOE4 possuem menor quantidade de pericílios, células essenciais para estabilizar os vasos sanguíneos.
Células de cicatrização e acúmulo de placas
Os pesquisadores descobriram que os portadores da variante genética apresentam mais miofibroblastos, células que produzem fibronectin, uma espécie de cola celular. Em modelos tridimensionais, pericílios começaram a assumir características cicatriciais.
Quando os cientistas bloquearam a produção de fibronectin nos modelos celulares, o acúmulo da proteína amiloide-beta diminuiu consideravelmente. Essa descoberta explica pistas anteriores observadas em pacientes geneticamente resilientes à doença.
Sinalização imune e futuros tratamentos
O estudo também identificou que a molécula imune TGF-beta atua como um gatilho para essa transformação celular nociva. Bloquear essa sinalização em camundongos idosos ajudou a restaurar a proporção de vasos sanguíneos saudáveis.
No entanto, Abdel Ali Belaidi alerta que a proteína TGF-beta cumpre diversas funções no corpo, tornando um medicamento alvo um desafio seguro. A relação entre inflamação, proteína tau e vasos danificados continua sendo investigada pela ciência.
Perguntas Frequentes
O que é o gene APOE4?
O APOE4 é uma variante genética considerada o principal fator de risco comum para o desenvolvimento da doença de Alzheimer.
Como o APOE4 afeta os vasos sanguíneos?
O gene reduz células estabilizadoras chamadas pericílios e aumenta miofibroblastos, gerando tecido cicatricial e fibronectina no cérebro.
O bloqueio de proteínas pode ajudar no tratamento?
Sim, impedir a produção de fibronectina e modular a sinalização de TGF-beta reduziu o acúmulo de placas amiloides em modelos de laboratório.

