Nova pesquisa da USP e do Comitê Paralímpico Brasileiro usa sangue e saliva para monitorar o desgaste físico e evitar o excesso de treino.

Pesquisadores ligados ao Centro Multiprofissional de Estudos Paralímpicos e Paradesportivos, com financiamento da FAPESP, iniciaram um projeto inovador para proteger a saúde de competidores de alto rendimento no Brasil.

O estudo substitui métodos tradicionais de avaliação por exames de sangue e saliva, medindo indicadores biológicos exatos para evitar quedas graves nas defesas imunológicas dos atletas durante os ciclos de competições internacionais.

A iniciativa foi detalhada por José César Rosa Neto, professor do Instituto de Ciências Biomédicas da Universidade de São Paulo, durante a FAPESP Week realizada nos Países Baixos, conforme informação divulgada por raesp.

Vulnerabilidade imunológica no paradesporto

Dados levantados pela equipe científica revelam que um atleta paralímpico tem 20 vezes mais chances de contrair infecções e 11 vezes mais risco de hospitalização em comparação com competidores olímpicos convencionais.

Cerca de 30% dos atletas paralímpicos enfrentam infecções no trato respiratório superior, enquanto o índice entre olímpicos não passa de 2%. Além disso, até 30% dos cadeirantes sofrem com quadros recorrentes de infecções urinárias.

Para combater essa fragilidade, o projeto monitora variáveis bioquímicas em parceria direta com o Comitê Paralímpico Brasileiro, garantindo que as comissões técnicas saibam o momento exato de exigir esforço ou conceder repouso.

Controle de carga e tecnologia para jovens talentos

O professor José César Rosa Neto explicou que muitos competidores subestimam a própria exaustão muscular, correndo sérios riscos de lesões graves ou episódios severos de imunossupressão decorrentes do excesso de treinamentos.

Paralelamente ao esporte de alto rendimento, o centro capacita profissionais e acompanha crianças nas Escolinhas Paralímpicas do CPB, utilizando kits hormonais salivares para avaliar a maturação biológica na puberdade.

A tecnologia também engloba o uso de exergames, que são jogos eletrônicos interativos para treinos domésticos, e a adaptação de algoritmos de smartwatches para mensurar com precisão o gasto calórico de cadeirantes.

Metas do Brasil para Los Angeles 2028 e Brisbane 2032

Consolidado como uma potência mundial após alcançar a quinta colocação geral nos Jogos Paralímpicos de Paris em 2024, o Brasil aposta na eficiência administrativa do Comitê Paralímpico Brasileiro.

Com a gestão financeira centralizada nas modalidades com maior densidade de medalhas, como natação, atletismo e bocha, o país planeja resultados ainda mais expressivos nos próximos ciclos globais.

A meta interna estipulada para os Jogos de Los Angeles em 2028 é ampliar o total de medalhas e manter o país no top 5, visando disputar a segunda colocação geral contra os Estados Unidos em Brisbane 2032.

Perguntas Frequentes

Por que atletas paralímpicos têm mais infecções?

Atletas paralímpicos apresentam maior vulnerabilidade imunológica devido às alterações na resposta do organismo causadas por diferentes tipos de deficiência, como lesões medulares, o que eleva os riscos de infecções respiratórias e urinárias.

Como os biomarcadores ajudam na prevenção de lesões?

A análise contínua de sangue e saliva mede indicadores biológicos objetivos, permitindo que os treinadores ajustem as cargas de treino e evitem que atletas com fadiga extrema sofram lesões ou quedas na imunidade.

Qual é a meta do Brasil para as próximas Paralimpíadas?

O Brasil planeja aumentar o número de medalhas e se manter entre os cinco primeiros colocados em Los Angeles 2028, além de buscar a segunda colocação geral nos Jogos Paralímpicos de Brisbane 2032.