Pesquisadores japoneses superam desafio histórico da botânica e cultivam rosas com pigmentos azuis e moléculas auxiliares.

Cientistas do Suntory Global Innovation Center, localizado em Kyoto, no Japão, conseguiram desenvolver a primeira rosa azul verdadeira da história, superando uma limitação genética secular que impedia a planta de produzir tais tons, conforme informação divulgada por sciencenews.

O avanço científico histórico foi apresentado no dia 25 de agosto de 2026, durante o 32º International Horticultural Congress, realizado em Kyoto, marcando uma revolução para a jardinagem e a botânica moderna após décadas de pesquisas infrutíferas.

Para alcançar o resultado inédito, pesquisadores combinaram a inserção de genes específicos para produção de pigmentos com moléculas auxiliares, testando com sucesso a durabilidade das plantas em estufas no Japão e em campos de cultivo na Colômbia.

Como funciona a genética da rosa azul

Naturalmente, as roseiras produzem pigmentos vermelhos e amarelos, mas carecem da enzima necessária para sintetizar o pigmento azul chamado delfinidina, um obstáculo parcial que gerava apenas tons purpúreos em tentativas anteriores realizadas em 2004.

Flores naturalmente azuis, como as íris, utilizam moléculas chamadas flavone C-glycosides para estabilizar os pigmentos, agindo como agentes co-pigmentadores que aprofundam e fixam a coloração azulada nas pétalas das espécies.

Uso de genes de outras espécies

A equipe liderada pelo centro de inovação em Kyoto inseriu quatro genes exóticos em uma rosa de coloração rosa claro, extraídos de plantas como a Campanula medium e a Gentiana triflora.

Esses genes permitiram que a nova flor produzisse tanto o pigmento azul malvidina quanto a molécula auxiliar isoorientina, resultando em pétalas classificadas formalmente como azul violeta em tabelas de cores.

Testes de cultivo em campo e estufa

Os arbustos geneticamente modificados demonstraram estabilidade impressionante ao longo de testes rigorosos, mantendo a coloração azulada durante um período de sete anos em estufas no Japão.

Além disso, o cultivo bem-sucedido foi replicado por três anos em plantações ao ar livre na Colômbia, provando que a mutação é estável, duradoura e comercialmente viável para o futuro.

Perguntas Frequentes

Como os cientistas conseguiram criar a rosa azul?

Pesquisadores do Suntory Global Innovation Center inseriram quatro genes de outras espécies de flores em uma rosa clara, permitindo a produção de pigmentos azuis combinados com moléculas auxiliares incolores.

Por que as rosas azuis eram consideradas impossíveis?

As rosas não possuem naturalmente a enzima para fabricar o pigmento delfinidina nem as moléculas co-pigmentadoras chamadas flavone C-glycosides, essenciais para estabilizar e aprofundar o tom azul.

Onde a nova rosa azul foi apresentada ao público?

O avanço foi anunciado em 25 de agosto de 2026, durante o 32º International Horticultural Congress, na cidade de Kyoto, no Japão.

Quanto tempo duram as rosas azuis geneticamente modificadas?

Testes de campo e de estufa realizados no Japão e na Colômbia mostraram que os arbustos mantêm a produção de flores azuis estáveis por até sete anos.