Cientistas descobrem categoria catastrófica de deslizamento ligada a incêndios e mudanças climáticas no Canadá.
Um fenômeno geológico inédito surpreendeu pesquisadores nos Territórios do Noroeste, no Canadá, após o solo congelado ceder repentinamente em 2018. A enorme massa de terra liberada possuía volume equivalente a sete Grandes Pirâmides de Gizé, gerando uma grande cicatriz na paisagem florestal.
O evento marcou a identificação de uma nova classe de desastres ambientais, chamados de deslizamentos de descolamento de permafrost, conforme estudo publicado no periódico Geophysical Research Letters. A movimentação atípica envolveu blocos inteiros de terra congelada que se deslocaram por centenas de metros.
A pesquisa detalha que o processo pode ser desencadeado por incêndios florestais ocorridos décadas antes, conforme informação divulgada por sciencenews. O fogo desestabiliza a superfície e abre rachaduras que permitem a infiltração profunda de água, que acaba derretendo o permafrost por baixo.
O impacto dos incêndios florestais no solo congelado
O geólogo Joseph Young, que atuava na Universidade de Alberta, liderou as observações de campo na região canadense. Ele constatou que vales inteiros apresentavam encostas em colapso, desafiando a premissa de que o permafrost derrete apenas a partir da superfície.
As análises focaram em dois grandes eventos, sendo o deslizamento de 2018, que mobilizou 18 milhões de metros cúbicos de terra e bloqueou o rio Redstone, e outro evento ocorrido em 2017. As superfícies de deslizamento aconteceram a cerca de 20 metros de profundidade, exatamente na base do permafrost.
Simulações e o papel do aquecimento global
Para entender o mecanismo, pesquisadores instalaram instrumentos para monitorar a temperatura do solo entre 2020 e 2022. Os dados alimentaram simulações de computador para avaliar como o terreno evolui após incêndios e verões extremos.
Os resultados confirmaram que o calor enfraquece a camada congelada, gerando rachaduras de tensão que facilitam a entrada de água. Esse processo aquece o solo a partir da base, provocando o descolamento catastrófico de blocos inteiros de terra.
Riscos futuros em regiões frias do planeta
O geofísico Dmitry Nicolsky, da Universidade do Alasca Fairbanks, ressalta que a comunidade científica precisa ampliar os estudos subterrâneos. Segundo ele, o solo pode se mover de forma lenta ou catastrófica, exigindo maior atenção dos especialistas.
Imagens de satélite permitiram identificar mais de 150 deslizamentos similares na mesma região canadense. O fenômeno evidencia uma realidade direta de um clima em rápida transformação em zonas frias ao redor do mundo.
Perguntas Frequentes
O que é um deslizamento de descolamento de permafrost?
É uma nova classe de desastre onde o permafrost é aquecido por baixo através de infiltração de água, fazendo a camada congelada se descolar catastricamente.
Como os incêndios florestais afetam o permafrost?
Incêndios ocorridos décadas antes enfraquecem a superfície do solo e criam rachaduras que permitem a entrada de água nas camadas subterrâneas.
Quais foram os principais eventos estudados no Canadá?
Os pesquisadores analisaram um deslizamento em 2018, que moveu 18 milhões de metros cúbicos de terra, e um evento em 2017 com 4,5 milhões de metros cúbicos.
Quantos deslizamentos parecidos foram identificados por satélites?
Cientistas identificaram mais de 150 outros deslizamentos potenciais na mesma região dos Territórios do Noroeste, no Canadá.

