Achados na Caverna Shanidar mostram violência pré-histórica e compaixão entre hominídeos.

Um conjunto de restos mortais descoberto recentemente no Iraque sugere que um neandertal sofreu um golpe devastador no rosto e morreu cravado por uma lança anos depois. A pesquisa detalha marcas profundas em um osso do ombro e dentes estilhaçados preservados no Curdistão iraquiano.

O estudo foi conduzido por pesquisadores durante escavações iniciadas em 2019 no famoso sítio arqueológico de Shanidar, revelando ossos de pelo menos três indivíduos que viveram há cerca de 75 mil anos, conforme informação divulgada por sciencenews.

A análise detalhada dos fósseis indica um cenário complexo de violência interpessoal e sobrevivência prolongada, demonstrando que esses antigos parentes humanos lidavam com traumas graves e necessitavam de apoio mútuo na pré-história.

Evidências de perfuração por lança de madeira

O osso do ombro analisado apresenta um furo redondo e peculiar que intrigou a equipe liderada por cientistas como Emma Pomeroy, antropóloga biológica da Universidade de Cambridge. Testes descartaram danos causados por insetos ou raízes na estrutura fóssil.

Fragmentos encontrados na terra sugerem que a perfuração ocorreu quando o indivíduo, batizado de Shanidar A, ainda estava vivo. Análises com microscópio e raios X não mostraram sinais de cicatrização, indicando que o ferimento aconteceu pouco antes ou durante a morte.

Especialistas como Bruno Maureille, antropólogo da Universidade de Bordeaux, compararam o ferimento com restos de animais e armas paleolíticas, confirmando que a lesão foi feita inequivocamente por uma lança de madeira.

Trauma facial e dente estilhaçado

Além da perfuração no ombro, os cientistas encontraram um dente incisivo severamente quebrado junto aos restos mortais de Shanidar A. O acúmulo de tártaro comprova que o dente estilhaçou anos antes do falecimento do neandertal.

O dano facial teria provocado intensa dor e dificuldade para comer ou beber, exigindo suporte comunitário. Segundo Emma Pomeroy, a necessidade de cuidados prolongados evidencia que o comportamento neandertal era complexo e semelhante ao humano.

Antropólogos como Libby Cowgill, da Universidade de Missouri, destacam que ossos com marcas visíveis de traumas são raros, visto que muitas causas de morte não deixam vestígios no esqueleto dos hominídeos antigos.

Violência e cooperação entre neandertais

Arqueólogos já registraram sinais de conflitos e violência entre neandertais e outros hominídeos há centenas de milhares de anos. No mesmo sítio de Shanidar, outro indivíduo apresentou uma costela provavelmente perfurada por arma branca no passado.

A coexistência de ferimentos letais por armas e evidências de sobrevivência a longo prazo reforça teses sobre a empatia na pré-história. A convivência social garantia suporte a feridos incapazes de caçar ou se alimentar sozinhos por conta própria.

Essas descobertas ampliam o debate científico sobre a evolução comportamental dos neandertais, mostrando que a vida desses grupos combinava episódios de conflito físico com profundos atos de cuidado coletivo.

Perguntas Frequentes

Onde foram encontrados os restos mortais do neandertal Shanidar A?

Os fósseis foram descobertos no famoso sítio arqueológico da Caverna Shanidar, localizado no Curdistão iraquiano, durante escavações iniciadas em 2019.

Como os cientistas descobriram a causa da perfuração no ombro?

Os pesquisadores compararam o furo no osso com marcas em animais e armas paleolíticas, concluindo que o ferimento foi causado por uma lança de madeira.

O que o dente quebrado revela sobre o neandertal?

O incisivo estilhaçado indica que Shanidar A sofreu um grave trauma facial anos antes de morrer, sobrevivendo por muito tempo com a deficiência e necessitando de cuidados.

Neandertais cuidavam de feridos?

Sim, os pesquisadores apontam que a sobrevivência a lesões graves que dificultavam a alimentação sugere um comportamento complexo de cuidado mútuo entre neandertais.