Fiemg aponta tempestade perfeita para o setor produtivo com gastos públicos, reforma tributária e escala 6x1.
O presidente da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg), Flávio Roscoe, afirmou nesta terça-feira que o próximo governo precisará priorizar o equilíbrio fiscal e a previsibilidade nos negócios.
Segundo o dirigente, a expansão dos gastos públicos, o fim da escala 6x1 e o prazo curto para a reforma tributária formam uma tempestade perfeita para as empresas brasileiras no atual cenário.
A declaração ocorreu durante um evento na sede da CNI em Brasília, conforme informação divulgada por poder360.
Impacto da reforma tributária na indústria
A menos de dois meses da implementação, Roscoe afirmou que ainda há indefinições que dificultam o planejamento operacional das empresas brasileiras e a adaptação aos novos sistemas.
Entre as dúvidas estão a alíquota definitiva do Imposto Seletivo, do IVA dual e as regras detalhadas para a devolução de tributos a famílias de baixa renda por meio do cashback.
A falta de definições reduziu o tempo disponível para que o setor produtivo realize as alterações necessárias nos processos internos e cumpra todas as obrigações fiscais exigidas.
Custo Brasil e aumento de despesas
Um levantamento da própria Fiemg revela que 45 atos normativos avaliados entre 2023 e 2025 elevaram em 146,9 bilhões de reais por ano o custo de produzir no Brasil.
A área trabalhista concentrou a maior pressão negativa líquida, somando um impacto de 96,3 bilhões de reais anuais nas contas das empresas e indústrias nacionais.
O ambiente jurídico regulatório registrou impacto negativo estimado em 80,5 bilhões de reais, enquanto o eixo de tributos apresentou saldo negativo de 28,9 bilhões anuais.
Redução da jornada e produtividade
Sobre a redução da jornada semanal de 44 para 40 horas, Roscoe afirmou que a medida elevará os custos e poderá provocar o fechamento de postos de trabalho.
Para a entidade mineira, o período de transição de 14 meses é insuficiente para que os negócios encontrem alternativas tecnológicas capazes de preservar a produtividade.
Sem previsibilidade e melhora da competitividade, o dirigente alertou que a indústria nacional corre o risco de perder espaço para concorrentes estrangeiros no mercado.
Perguntas Frequentes
O que é a tempestade perfeita citada pela Fiemg para a indústria?
O presidente da Fiemg, Flávio Roscoe, classificou como tempestade perfeita a combinação entre expansão de gastos públicos, fim da escala 6x1, juros altos e o prazo curto da reforma tributária.
Quanto o Custo Brasil aumentou segundo o estudo da Fiemg?
O Indicador de Impacto Normativo no Custo Brasil apontou que novas normas elevaram em 146,9 bilhões de reais por ano o custo para produzir, empregar e investir no país.
Quais são as principais dúvidas da indústria sobre a reforma tributária?
As empresas apontam falta de clareza sobre a alíquota definitiva do Imposto Seletivo, do IVA dual e as regras operacionais para o cashback destinado a famílias de baixa renda.
Qual é o impacto da redução da jornada de trabalho na visão da Fiemg?
A entidade avalia que a diminuição da jornada semanal elevará os custos operacionais e poderá gerar fechamento de postos de trabalho devido ao curto prazo de adaptação.

