Pesquisa da USP revela queda nas mortes infantis por saneamento, mas alerta sobre a fome.
Um estudo inédito conduzido na Faculdade de Saúde Pública da USP analisou a relação entre a insegurança alimentar e a mortalidade infantil no Brasil entre 2004 e 2023, abrangendo todas as unidades federativas do país.
O trabalho investigou os óbitos de crianças menores de 5 anos associados a água inadequada, saneamento precário e falta de higiene, cruzando esses dados com índices de fome, leitos hospitalares e programas de transferência de renda, conforme informação divulgada por usp.
A pesquisa foi desenvolvida pelo professor Lucas de Almeida Moura, sob a orientação da professora Dirce Marchioni, integrando um dossiê especial da revista Segurança Alimentar e Nutricional, da Universidade Estadual de Campinas.
Evolução da insegurança alimentar no Brasil
Os resultados mostram que a insegurança alimentar oscilou drasticamente nas últimas duas décadas, caindo de 40,94% em 2004 para o menor patamar de 27,99% em 2013, antes de disparar para um pico de 62,64% em 2022 devido a crises e à pandemia.
No ano de 2023, o índice apresentou recuo para 30,52%. Os pesquisadores destacam que crianças menores de 5 anos sofrem os maiores impactos dessa volatilidade econômica combinada com a falta de infraestrutura básica.
Queda nos óbitos por saneamento inadequado
As taxas de mortalidade infantil decorrentes de água e saneamento impróprios registraram uma expressiva queda no país, saindo de 30,18 óbitos por 100 mil habitantes em 2004 para 6,78 em 2022, com leve alta para 9,76 em 2023.
Apesar da melhora nacional, as disparidades regionais continuam alarmantes. As regiões Norte e Nordeste concentram sistematicamente os piores indicadores de saneamento básico e as maiores taxas de mortalidade associadas.
O impacto do Bolsa Família na proteção infantil
O estudo apontou que a garantia de renda mínima por meio do programa Bolsa Família atuou como um fator protetor fundamental para reduzir mortes evitáveis de crianças em situação de vulnerabilidade social.
Em contrapartida, a quantidade de leitos hospitalares disponíveis não apresentou um efeito estatisticamente significativo sobre a redução da mortalidade infantil específica por essas causas hídricas e sanitárias.
Perguntas Frequentes
Qual foi o período analisado pelo estudo da USP?
A pesquisa epidemiológica analisou a série histórica compreendida entre os anos de 2004 e 2023 em todo o território nacional.
Como a mortalidade infantil por saneamento mudou no Brasil?
A taxa caiu de 30,18 óbitos por 100 mil habitantes em 2004 para 6,78 em 2022, registrando 9,76 em 2023, com forte concentração nas regiões Norte e Nordeste.
O Bolsa Família ajudou a reduzir as mortes de crianças?
Sim, a garantia de renda mínima por programas sociais como o Bolsa Família funcionou como um importante fator protetor contra mortes infantis evitáveis.

