Investigação revela regras abusivas da gravadora Ador e da Hybe sobre o grupo de K-pop.
Uma investigação recente revelou detalhes alarmantes sobre os contratos secretos firmados entre o grupo de K-pop NewJeans e a gravadora Ador, subsidiária da gigante Hybe. Assinados entre 2021 e 2022, os documentos gerenciam rigorosamente a carreira das artistas.
A apuração expõe que as integrantes tinham entre 14 e 17 anos quando firmaram os acordos, que removem proteções governamentais recomendadas na Coreia do Sul para menores de idade. As exigências incluem penalidades severas e controle total da vida pessoal.
A denúncia detalha abusos trabalhistas, uso de inteligência artificial e multas rescisórias exorbitantes, conforme informação divulgada por popline.
Contrato do NewJeans permite uso de inteligência artificial na voz e imagem
O documento estabelece que a gravadora retém o direito de usar, comercializar e licenciar a imagem, o rosto e a voz das integrantes do NewJeans de forma indefinida. Essa permissão se estende mesmo após o término do acordo, previsto para 2029.
A autorização engloba a criação de clones de voz por inteligência artificial e chatbots. Embora as cantoras tenham direito a remuneração por essas aplicações, elas perdem totalmente o controle decisório sobre o uso de suas identidades sintéticas no mercado.
Falta de direitos básicos e rotina exaustiva no treinamento do K-pop
O contrato omitiu garantias fundamentais à saúde física, mental, sono e educação para as jovens em treinamento, distanciando-se do modelo padrão sugerido pelo Ministério da Cultura sul-coreano.
A apuração demonstra que a rotina de ensaios avançava frequentemente até as 2h da manhã, sob monitoramento constante por câmeras e sem incentivo a pausas. Como consequência, quatro das cinco integrantes abandonaram a escola antes do debut.
Multa rescisória milionária e reembolso obrigatório de cirurgias plásticas
As penalidades por encerramento antecipado do vínculo são extremamente desproporcionais, com uma cobrança que atingiu cerca de R$ 120 milhões em uma ação movida pela gravadora contra uma das integrantes.
Além disso, as cláusulas exigiam que as artistas fechassem o reembolso por gastos com procedimentos estéticos e cirurgias plásticas recomendadas pela empresa durante o período de treinamento prévio à estreia oficial.
Posicionamento oficial da Hybe sobre as acusações do The New York Times
Em resposta à reportagem, a Hybe enviou uma nota oficial afirmando que os contratos de suas subsidiárias são legais, negociados de boa-fé e aceitos pelos pais das integrantes do grupo.
A empresa declarou que o modelo governamental sul-coreano é apenas uma diretriz não obrigatória, negou exigir cirurgias plásticas contra a vontade dos artistas e sustentou cumprimento rigoroso das leis de proteção a menores.
Perguntas Frequentes
O que o New York Times revelou sobre o contrato do NewJeans?
A investigação expôs contratos secretos com controle pessoal extremo, uso perpétuo de imagem e voz por inteligência artificial, ausência de direitos de saúde e multas rescisórias de cerca de R$ 120 milhões.
Qual é o papel da Ador e da Hybe no caso do NewJeans?
A Ador é a gravadora subsidiária da Hybe que gerencia o grupo de K-pop e assinou os documentos investigados com as artistas entre 2021 e 2022.
O contrato do NewJeans permite o uso de inteligência artificial?
Sim, a gravadora reteve o direito de comercializar a imagem, o rosto e a voz das integrantes por meio de clones de voz em inteligência artificial e chatbots de forma indefinida.
Qual foi a resposta da Hybe sobre as acusações contratuais?
A Hybe declarou oficialmente que os contratos são legais, negociados de boa-fé, aceitos pelos pais e que a empresa cumpre rigorosamente as leis de proteção a menores.

