Estudo revela que primatas não humanos adotam aversão a germes após epidemia

No início de 2020, enquanto humanos adotavam medidas extremas de higiene contra a Covid-19, macacos-japoneses no Texas lidavam com um surto epidêmico próprio. A tragédia no Santuário de Primatas Born Free USA gerou mudanças comportamentais profundas nos animais sobreviventes.

Após enfrentarem um retrovírus altamente contagioso, os primatas desenvolveram uma repulsa patológica a germes e alimentos potencialmente contaminados. A descoberta fornece pistas cruciais sobre a evolução do nojo nos seres vivos, conforme informação divulgada por superinteressante.

A pesquisa foi liderada pelo especialista Federico Rossano e detalhada na revista científica Royal Society Open Science. O experimento avaliou como a exposição indireta a doenças altera a tomada de decisão em primatas que convivem em grupo.

Surto de retrovírus símio no Texas

O Santuário de Primatas Born Free USA, localizado no sul do Texas, enfrentou um devastador surto de retrovírus símio, conhecido como SRV. A doença causa imunodeficiência semelhante à AIDS e síndrome de emagrecimento crônico nos animais afetados.

Como o patógeno é altamente contagioso e transmitido por fluidos corporais, o santuário registrou dezenas de mortes. A instituição separou os grupos em quarentena, permitindo que cientistas analisassem os impactos comportamentais da epidemia nos macacos-japoneses.

Experimento com alimentos e superfícies

Pesquisadores submeteram cinquenta e cinco macacos a um teste prático com uvas, uma guloseima rara no local. Os alimentos foram distribuídos entre superfícies limpas e locais revestidos com fezes de macaco protegidas por resina epóxi.

Os macacos que vivenciaram o surto de SRV demonstraram muita cautela ao buscar alimento. Eles consumiram itens sobre superfícies contaminadas em apenas quarenta e sete por cento das tentativas, índice bem menor do que o observado em outros grupos.

Aprendizado social e evolução do nojo

O estudo revelou que macacos não infectados, mas que apenas presenciaram o sofrimento de outros membros, também adotaram a germofobia. Esse comportamento reforça a força do aprendizado social na disseminação de hábitos de sobrevivência.

A pesquisa aponta que o nojo atua como uma ferramenta central do sistema imunológico comportamental. A reação ajuda primatas a evitarem agentes biológicos nocivos, mesmo sem compreender totalmente a forma de transmissão dos vírus.

Perguntas Frequentes

Macacos podem desenvolver germofobia?

Sim, um estudo com macacos-japoneses no Texas mostrou que primatas desenvolvem aversão a germes após sobreviverem a surtos de doenças em santuários.

Como o surto afetou o comportamento dos animais?

Os animais sobreviventes passaram a evitar alimentos em superfícies sujas, reduzindo drasticamente o consumo em áreas com risco de contaminação.

O aprendizado social influencia a aversão a germes?

Sim, macacos que não foram infectados, mas presenciaram o surto no grupo, também adotaram comportamentos de extrema cautela e higiene.