Insetos desenvolveram mecanismo acústico defensivo de forma independente ao longo de milhões de anos

Na escuridão da noite, mariposas conhecidas como esfingídeos enfrentam predadores ferozes usando uma estratégia corporal inusitada. Quando um morcego se aproxima para o ataque, esses insetos voadores respondem raspando escamas especializadas localizadas em seus órgãos sexuais, conforme estudo divulgado recentemente.

A manobra mecânica libera rajadas de ultrassom capazes de confundir o sonar biológico utilizado pelos morcegos para localizar as presas no ar. Essa verdadeira arma antissonar foi documentada por pesquisadores internacionais, conforme informação divulgada por sciencenews.

O achado científico demonstra que a evolução moldou essa tese de sobrevivência de maneira surpreendente, exigindo investigações detalhadas de especialistas em ecologia sensorial na América do Norte e na Europa.

Como funciona o mecanismo de defesa genital das mariposas

O biólogo Jesse Barber, do Museu Americano de História Natural em Nova York, liderou a investigação ao lado do entomologista Akito Kawahara, do Museu de História Natural da Flórida em Gainesville. Os cientistas combinaram gravações de áudio com imagens de alta resolução.

Entre as 143 espécies testadas em laboratório, 77 produziram ultrassom utilizando estruturas específicas. O processo envolve escamas em formato de bola de futebol americano nos órgãos sexuais masculinos, que raspam contra outras partes do abdômen para gerar o ruído.

Diversidade anatômica e evolução convergente

O pesquisador Paul Masonick destacou que o fenômeno representa um exemplo vívido de evolução convergente, onde a mesma ameaça predatória levou a caminhos anatômicos distintos. O sonar das mariposas evoluiu de quatro a sete vezes entre 5 e 30 milhões de anos atrás.

Segundo o especialista Nick Dowdy, do Museu Público de Milwaukee, as mariposas que raspam escamas contra pequenas saliências possuem o repertório acústico mais amplo. Isso oferece maior flexibilidade para o desenvolvimento de novas defesas contra os morcegos.

O impacto da predação na perda de defesas

A intensa pressão evolutiva dos morcegos não gerou apenas adaptações, mas também perdas de capacidades acústicas ao longo do tempo. Linhagens de mariposas que migraram para hábitos diurnos ou crepusculares acabaram perdendo o maquinário especializado em produzir som.

O pesquisador Marc Holderied, da Universidade de Bristol na Inglaterra, ressalta que o grupo exibe uma impressionante variedade de truques ocultos. Esses combates ultrassonográficos noturnos revelam uma complexidade biológica muito maior do que a ciência imaginava anteriormente.

Perguntas Frequentes

Como as mariposas produzem ultrassom com a genitália?

Os machos raspam escamas especializadas localizadas em seus órgãos sexuais contra estruturas no abdômen, como espinhos ou pequenas saliências, gerando cliques ultrassonográficos.

Qual é o objetivo desse som emitido pelas mariposas?

As rajadas de ultrassom servem para desorientar e embaralhar o sonar biológico dos morcegos predadores, funcionando como uma arma antissonar na escuridão.

Onde a pesquisa sobre mariposas e morcegos foi realizada?

O estudo foi conduzido por cientistas vinculados a instituições como o Museu Americano de História Natural em Nova York e o Museu de História Natural da Flórida.

Todas as espécies de mariposas possuem essa capacidade?

Não, a pesquisa testou 143 espécies de mariposas esfingídeos e constatou que 77 delas produzem ultrassom por meio de três métodos anatômicos distintos.