Pesquisa europeia cria esfre sanguíneo simplificado para medir envelhecimento biológico e saúde.
Pesquisadores europeus desenvolveram um inovador indicador metabólico personalizado para prever a longevidade e o risco de doenças crônicas em adultos. O avanço científico foi apresentado durante a FAPESP Week Países Baixos pelo pesquisador Joris Deelen, do Centro Médico da Universidade de Leiden.
O novo esfre biológico analisa exames de sangue para mapear o estado funcional geral do organismo e identificar precocemente o declínio funcional. A ferramenta serve como um importante marcador de saúde na meia-idade, conforme informação divulgada por raesp.
A iniciativa internacional contou com colaboração do Brasil, incluindo a participação da estudante Gabriela Natalle Lopes, da Faculdade Israelita Albert Einstein. O projeto envolveu cientistas de 12 estudos europeus e do Instituto Max Planck de Biologia do Envelhecimento.
Como funciona o indicador metabólico no sangue
Para criar a ferramenta, os cientistas analisaram o sangue de 44 mil voluntários e mediram mais de 200 substâncias químicas. O modelo matemático foi simplificado para focar em apenas dez substâncias sanguíneas comuns na rotina médica.
A escala foi invertida para facilitar a interpretação clínica, onde notas mais altas indicam melhor condição de saúde. Cada ponto a mais na pontuação representa o adiamento médio de 14 anos no surgimento de doenças cardiometabólicas como diabetes e infarto.
Estilo de vida e impacto na longevidade
O indicador revelou que 40% da saúde metabólica depende da hereditariedade genética, enquanto 60% está ligada a fatores ambientais e ao estilo de vida. O tabagismo destacou-se como o elemento mais prejudicial para a pontuação do paciente.
Por outro lado, programas de treino de força e atividades físicas regulares mostraram grande eficácia na redução de insulina e triglicerídios. As mudanças comportamentais beneficiaram principalmente os indivíduos que apresentavam pontuação inicial abaixo da média.
Conexão entre músculos, metabolismo e cérebro
Pesquisas lideradas pelo professor Tiago da Silva Alexandre na Universidade Federal de São Carlos explicam a relação entre o envelhecimento musculoesquelético e a demência. Os tecidos musculares, ósseos e cerebrais mantêm uma comunicação molecular contínua por meio de miocinas.
O acúmulo de gordura no interior das fibras musculares compromete o gasto metabólico e a integridade funcional do cérebro. Esse processo eleva o risco de síndrome metabólica e perda de mobilidade na terceira idade.
Perguntas Frequentes
O que é o novo indicador metabólico?
É uma ferramenta personalizada criada por cientistas europeus e brasileiros para avaliar o envelhecimento biológico e prever o risco de doenças crônicas.
Como o exame de sangue foi simplificado?
A ferramenta passou de centenas de itens laboratoriais para a análise de apenas dez substâncias presentes no sangue que os médicos já avaliam rotineiramente.
O estilo de vida pode melhorar o escore metabólico?
Sim, mudanças de hábitos e treinos de força mostraram melhorias expressivas na saúde de indivíduos que iniciaram a pesquisa com pontuações abaixo da média.
Qual é a relação entre músculos e cérebro na longevidade?
O tecido muscular libera substâncias protetoras chamadas miocinas durante o movimento, mantendo um diálogo bioquímico essencial para a saúde cerebral e mobilidade.

