Cientistas descobrem o saprotropismo, movimento vegetal para evitar micróbios

Pesquisadores descobriram que plantas conseguem mover suas raízes para longe de materiais em decomposição. O comportamento surpreendente protege os organismos contra micróbios perigosos presentes em tecidos podres.

O achado científico foi feito por um grupo liderado pelo biólogo Yuzhou Zhang, da Universidade Noroeste A&F, na China. A equipe investigou o fenômeno após notar um crescimento incomum em placas de laboratório contaminadas.

A reação inovadora, chamada de saprotropism, demonstra que os vegetais possuem mecanismos sensoriais sofisticados para interagir com o ambiente, conforme informação divulgada por CIÊNCIA.

Como funciona o movimento vegetal

O estudo começou com um experimento que deu errado em um laboratório na Áustria, quando o biólogo Yuzhou Zhang percebeu placas de ágar contaminadas com micróbios. Quase todas as raízes das plantas cresceram na direção oposta ao foco de contaminação por microrganismos.

Para confirmar a suspeita, a equipe cultivou a planta Arabidopsis thaliana em recipientes com partes de maçã podre. As mudas que encontraram zonas de decaimento desviaram suas raízes, enquanto o grupo controle cresceu em linha reta sem nenhuma alteração.

Diferenças entre tropismos clássicos

O saprotropismo opera de forma diferente de outros movimentos vegetais conhecidos, como o gravitropismo e o fototropismo. Enquanto estes dependem da redistribuição do hormônio auxina, o novo comportamento utiliza o ácido abscísico.

Segundo o pesquisador Chris Wolverton, da Universidade Wesleyan de Ohio, o escopo do trabalho é impressionante, embora ainda existam detalhes em aberto sobre os mecanismos de sinalização celular acionados pelo contato com o material orgânico.

Reação exclusiva a tecidos vegetais

Testes adicionais com tomates e trigo trouxeram resultados semelhantes, comprovando que o comportamento ocorre em várias espécies cultivadas em laboratório. A reação funciona de maneira semelhante aos odores desagradáveis que afastam animais de alimentos estragados.

Curiosamente, o contato com tecidos animais em putrefação não causou o mesmo efeito nos vegetais testados. O hormônio ácido abscísico se acumula no lado voltado para a podridão vegetal, estimulando o crescimento celular na direção oposta.

Futuro das pesquisas botânicas

A equipe da Universidade Noroeste A&F pretende preencher lacunas em estudos futuros para entender melhor os limites dessa sensibilidade. Os cientistas querem descobrir em que ponto exato o tecido em decomposição deixa de ser perigoso e passa a ser nutritivo.

A pesquisa amplia a compreensão sobre como as espécies vegetais percebem o mundo ao seu redor. O avanço científico ajuda a desvendar a complexidade oculta por trás da aparente imobilidade dos organismos na natureza.

Perguntas Frequentes

O que é o saprotropismo nas plantas?

É o movimento de curvatura das raízes para evitar tecidos vegetais mortos ou em decomposição, ajudando a proteger o organismo contra patógenos.

Como as plantas percebem a decomposição?

As raízes detectam gradientes químicos acidificados gerados pela matéria vegetal podre, ativando um sinal hormonal interno.

Qual hormônio está envolvido no saprotropismo?

O processo depende do ácido abscísico, que se acumula no lado da raiz voltado para a podridão e estimula o crescimento no sentido oposto.

Todas as plantas evitam materiais podres?

Experimentos com Arabidopsis thaliana, tomates e trigo mostraram respostas semelhantes de afastamento de zonas com maçãs em decomposição.

O fenômeno ocorre com carne podre?

Não, os testes demonstraram que o contato com tecidos animais em putrefação não causa nenhuma reação de desvio nas raízes.