Estudo internacional revela que árvores invasoras perdem espaço com o amadurecimento de matas tropicais.
Pesquisadores de cerca de 60 instituições analisaram dados de mais de 1,5 mil áreas em regeneração nas Américas para entender o comportamento de árvores não nativas. O trabalho foi publicado na revista científica Nature Plants e detalha a dinâmica dessas plantas em matas úmidas e secas.
A investigação apontou que o domínio de espécies exóticas ocorre principalmente nos primeiros 10 a 20 anos de recuperação da floresta, aproveitando a luz abundante em terrenos abertos. No entanto, esse pico inicial é passageiro e o número dessas plantas diminui conforme as árvores nativas crescem, conforme informação divulgada por CIÊNCIA.
O levantamento integrou pesquisas coordenadas por Angelica Faria de Resende durante seu pós-doutorado na Esalq-USP, com bolsa da FAPESP, contando também com a participação do pesquisador Fabio Matos em estudos vinculados à instituição paulista.
Impacto de árvores exóticas em florestas secundárias
A interferência inicial das espécies exóticas é mais expressiva em matas úmidas, onde representaram até 28% dos troncos nas duas primeiras décadas. Nas florestas secas, esse índice chegou a apenas 9%, demonstrando que a resposta do ecossistema varia conforme o bioma e as condições ambientais locais.
Disputa por luz entre plantas pioneiras
As árvores não nativas encontradas nessas áreas possuem características semelhantes às espécies pioneiras nativas, apresentando crescimento rápido e alta dependência de luz solar. Na fase inicial da regeneração, elas competem pelo espaço, mas acabam cedendo lugar às árvores nativas de desenvolvimento lento que germinam na sombra.
Diferença entre espécies invasoras e não invasoras
O estudo diferencia plantas como o pinus, classificado como espécie invasora por se espalhar autonomamente, do eucalipto, considerado não invasor no Brasil por ocorrer apenas onde é cultivado. Espécies como o cajueiro-japonês e a leucena também foram monitoradas em diversos países neotropicais.
Soluções baseadas na natureza para a biodiversidade
Os pesquisadores concluíram que a regeneração natural de florestas funciona como uma eficiente solução baseada na natureza. O processo controla o avanço de espécies exóticas ao mesmo tempo em que protege a biodiversidade, a integridade dos ecossistemas e os modos de vida locais nas regiões avaliadas.
Perguntas Frequentes
O domínio de espécies exóticas nas florestas é permanente?
Não, o domínio inicial de árvores exóticas é passageiro e elas entram em declínio à medida que as árvores nativas crescem e sombreiam a mata.
Por que as árvores não nativas crescem rápido no início?
Elas aproveitam a luz abundante de terrenos abertos e desmatados, comportando-se de forma semelhante às espécies pioneiras nativas.
Qual a diferença entre pinus e eucalipto na classificação botânica?
O pinus dispersa sementes pelo ar e domina paisagens sem intervenção humana, sendo invasor, enquanto o eucalipto ocorre apenas onde é plantado.
Como o estudo avaliou a regeneração de florestas ao longo do tempo?
Os pesquisadores analisaram trechos com idades diferentes em uma mesma região para reconstruir a evolução da vegetação sem precisar acompanhar a mesma área por décadas.

