Estudo revela que restos de vírus no DNA moldaram diferenças cruciais entre humanos e chimpanzés.

Pesquisadores liderados por cientistas suecos descobriram que uma infecção viral ocorrida há milhões de anos na África deixou marcas no DNA de primatas, influenciando diretamente o desenvolvimento cerebral.

A pesquisa publicada na revista Science Advances detalha como retrovirais endógenos alteraram a regulação de genes específicos em chimpanzés, enquanto ausentes no genoma humano moderno.

A investigação traz novas respostas sobre a evolução e as diferenças cognitivas entre as espécies, conforme informação divulgada por sciencenews.

Evolução do cérebro humano e dos primatas

O neurocientista Johan Jakobsson, da Universidade de Lund, na Suécia, aponta que os genes produtores de proteínas em humanos e chimpanzés são muito semelhantes, apesar da grande diferença no tamanho cerebral.

Na ausência de variações drásticas no código genético, a equipe focou nas regiões que controlam o funcionamento dos genes, descobrindo que vírus antigos deixaram rastros profundos na regulação biológica.

O impacto dos retrovirais endógenos

Vestígios virais conhecidos como retrovirais endógenos compõem ao menos 8% dos genomas de humanos e chimpanzés, tendo relação com grandes eventos evolutivos como a formação da placenta em mamíferos.

Esses pedaços de DNA parasita perderam a capacidade infecciosa original, mas mantiveram o poder de causar grandes impactos na biologia do hospedeiro ao se multiplicarem pelo genoma.

Edição genética com CRISPR em laboratório

Trabalhando com células-tronco de chimpanzés, a equipe usou a tecnologia CRISPR para remover o DNA viral específico herdado de um ancestral comum entre 5 milhões e 7 milhões de anos atrás.

A remoção do material viral ativou um gene vizinho chamado LINC00662, que normalmente fica silenciado em chimpanzés, mimetizando o comportamento observado nas células cerebrais humanas.

Divergência genética e novas descobertas

A bióloga evolutiva Giorgia Modenini, da Universidade de Pádua, na Itália, destaca que o estudo comprova como os genomas podem acumular mudanças cruciais por vias alternativas além das mutações pontuais.

O geneticista Ravinder Kanda, da Universidade Oxford Brookes, na Inglaterra, reforça que a descoberta representa apenas a ponta do iceberg no entendimento sobre retrovírus na evolução cerebral.

Perguntas Frequentes

Por que o cérebro humano é maior que o do chimpanzé?

Embora compartilhem semelhanças genéticas, diferenças na regulação de genes e a atuação histórica de vírus antigos moldaram o desenvolvimento neural humano.

O que são retrovirais endógenos no DNA?

São resíduos de DNA deixados por vírus antigos que infectaram células reprodutivas e passaram a ser herdados pelas gerações seguintes ao longo de milhões de anos.

Como a tecnologia CRISPR foi usada no estudo?

Cientistas usaram o CRISPR para cortar e remover o DNA viral específico em células-tronco de chimpanzés, revelando como ele silenciava genes cerebrais importantes.

Qual é o papel do gene LINC00662?

O gene LINC00662 fica ativo em células cerebrais humanas e estimula redes genéticas ligadas ao desenvolvimento de neurônios, mas permanece silenciado em chimpanzés devido a vírus antigos.