Nova iniciativa no Hospital de Amor quer adaptar escores de risco genético para a população brasileira
Um banco de amostras biológicas criado em Barretos, no estado de São Paulo, promete transformar o combate ao câncer no Brasil nos próximos anos, segundo dados divulgados recentemente por pesquisas científicas.
A iniciativa do Hospital de Amor reúne dados genéticos e de estilo de vida de milhares de pacientes para desenvolver ferramentas de previsão de risco adaptadas à realidade da população nacional, conforme informação divulgada por raesp.
O projeto liderado pelo pesquisador Rui Manuel Reis busca preencher uma lacuna histórica na medicina de precisão, que atualmente se baseia em estudos genômicos focados quase exclusivamente em pessoas com ancestralidade europeia.
Biorrepositório e medicina de precisão no Brasil
O biorrepositório já conta com mais de 4.000 participantes e quase 40.000 amostras derivadas de sangue, com a meta de alcançar 8.000 pessoas nos próximos dois anos, divididas igualmente entre pacientes com e sem tumores.
A estrutura aproveita a robusta base do biobanco institucional do Hospital de Amor, que foi criado em 2006 e já acumula mais de 420.000 amostras biológicas de mais de 55.000 doadores em todo o país.
Segundo o diretor científico Rui Manuel Reis, construir estratégias de prevenção com uma régua estrangeira é ineficiente, pois a população brasileira apresenta uma miscigenação única entre matrizes europeias, africanas, indígenas e asiáticas.
Escore poligênico de risco genético
Uma das principais inovações do projeto é o desenvolvimento do chamado escore poligênico de risco, que soma o efeito de milhares de pequenas variações espalhadas pelo DNA para estimar a predisposição a tumores.
Diferente de testes para mutações hereditárias raras como nos genes BRCA1 e BRCA2, o escore avalia centenas de alterações genéticas que, juntas, indicam se um indivíduo possui maior ou menor probabilidade de desenvolver a doença.
Os pesquisadores destacam que ter um escore elevado não significa o surgimento garantido do câncer, pois a doença depende da interação entre a genética e fatores ambientais como obesidade, tabagismo e alimentação.
Prevenção direcionada para o SUS
Nesta primeira fase, o estudo foca em três tipos de câncer altamente incidentes e passíveis de prevenção ou detecção precoce: câncer de mama, câncer colorretal e câncer do colo do útero.
Com exames como mamografia, colonoscopia e rastreamento ginecológico, o uso futuro dessas ferramentas no SUS poderá orientar condutas mais assertivas e personalizadas para pacientes com maior risco genético.
A coleta de dados epidemiológicos detalhados por meio de questionários permitirá avaliar como o estilo de vida dos brasileiros interage diretamente com as diferentes ancestralidades genéticas mapeadas no projeto.
Perguntas Frequentes
O que é o biorrepositório do Hospital de Amor?
É um banco de amostras biológicas e dados genéticos em Barretos (SP) criado para desenvolver ferramentas de previsão de câncer adaptadas à população brasileira.
Como o escore poligênico de risco funciona?
Ele soma o efeito de milhares de pequenas variações no DNA para calcular a predisposição genética de uma pessoa a desenvolver determinados tipos de tumores.
Quais tipos de câncer são estudados no projeto?
Nesta etapa inicial, os pesquisadores estão focando nos tumores de mama, colorretal e do colo do útero, devido às possibilidades de prevenção e detecção precoce.
O projeto vai ajudar pacientes do SUS?
Sim, a meta é fornecer subsídios científicos para que o Sistema Único de Saúde possa oferecer estratégias de rastreamento e prevenção mais personalizadas no futuro.

