Pesquisa pioneira da Unifesp acompanha 500 voluntários para antecipar o diagnóstico da doença.

As alterações cerebrais associadas ao mal de Alzheimer começam a se acumular até 20 anos antes do surgimento dos primeiros sintomas clínicos, como esquecimentos frequentes e perda de autonomia.

Para antecipar esse diagnóstico, um grupo de mais de 100 pesquisadores liderados pela Universidade Federal de São Paulo iniciou o Estudo Brasileiro em Doença de Alzheimer, conhecido como Bioaz.

A iniciativa acompanha 500 voluntários com queixas de memória a partir dos 55 anos, conforme informação divulgada por pesuisa.

Janela de tempo para o diagnóstico precoce

O neurologista Gustavo Melo de Andrade Lima, presidente do Núcleo de Ensino e Pesquisa em Envelhecimento Cerebral da Unifesp, explica que intervir quando a pessoa já perdeu a autonomia é tarde demais.

O projeto nasceu como um mestrado e se expandiu para um doutorado e uma grande coorte, envolvendo cinco departamentos da universidade e colaborações com a USP, UFRGS e UFSCar.

A fenotipagem profunda do estudo reúne questionários detalhados, avaliações neuropsicológicas e exames biológicos avançados para mapear o risco de demência nos participantes.

Desafios na diversidade genética da população

O grande diferencial do Bioaz é focar na população brasileira, cuja genética difere significativamente de estudos internacionais realizados majoritariamente com pessoas caucasianas.

O pesquisador Paulo Henrique Ferreira Bertolucci ressalta que o DNA brasileiro, influenciado por diferentes correntes migratórias históricas, possui um perfil genético único e próprio.

A equipe enfrenta dificuldades para atrair participantes negros e pardos que reflitam a demografia do Censo Demográfico 2022 do IBGE, recorrendo a estratégias de engajamento comunitário.

Impacto do exposoma e fatores de risco no Brasil

A idade de corte foi reduzida para 55 anos por sugestão do NIH americano, considerando a alta carga de fatores de risco vasculares e sociais presentes no país.

A pesquisadora Kil Sun Lee aponta que grande parte dos voluntários iniciais é composta por mulheres brancas de alta escolaridade, o que motivou a expansão do recrutamento para a periferia paulistana.

O objetivo central é analisar o exposoma, conjunto de fatores ambientais e sociais, para compreender como esses elementos afetam o desenvolvimento precoce da demência no Brasil.

Perguntas Frequentes

Quando começam as alterações do Alzheimer no cérebro?

As alterações cerebrais associadas ao mal de Alzheimer podem começar a se acumular de 15 a 20 anos antes dos primeiros sintomas.

O que é o Estudo Bioaz da Unifesp?

É uma pesquisa longitudinal que acompanha 500 brasileiros com 55 anos ou mais que apresentam queixas de memória, buscando biomarcadores precoces.

Por que a diversidade genética é importante no estudo?

A genética influencia os biomarcadores da doença, e o DNA brasileiro possui um perfil único devido à miscigenação e à história de imigração.